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Mação viveu momentos dramáticos. O perímetro urbano já está em segurança, mas foram atingidas muitas habitações. As preocupações viram-se agora para Oleiros, onde vinte casas já arderam e cinco pessoas ficaram feridas com gravidade. A Guarda está rodeada de uma «espécie de anel de fogo».

Os distritos de Portalegre, Castelo Branco, Santarém e Leiria são os que apresentam maiores problemas. As localidades em risco são nos concelhos de Mação, Proença-a-Nova e Sertã.

Castelo Branco - problema maior na Sertã e Oleiros
No distrito de Castelo Branco há sete incêndios e uma das situações mais preocupantes é no concelho da Sertã onde já arderam quatro serrações e uma dúzia de casas foram destruídas.

As chamas cercaram também a vila de Oleiros e estão a entrar na zona urbana. Uma residência de estudantes e a escola local estão em perigo.

Segundo fonte dos bombeiros locais, citada pela agência Lusa, mais de vinte casas já foram consumidas hoje pelo fogo no perímetro urbano de Oleiros.

Para além das habitações, o fogo destruiu duas oficinas de automóveis na sede de concelho e uma serração em Estreito.

O incêndio já provocou cinco feridos graves, com queimaduras, informou fonte do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) no local.

«Oleiros corre o risco de arder dentro de horas, porque não há meios para a defender», disse o presidente da Câmara, José Marques.

«Não sei o que hei-de fazer. Não há meios e não há nada que consiga arranjar para responder», acrescentou o autarca, desesperado com a falta de bombeiros.

«Os homens estavam todos nas aldeias, no Estreito e fomos surpreendidos com esta situação. É uma tragédia», afirmou.

Entretanto o coordenador distrital de Protecção Civil e Bombeiros, Rui Esteves, adiantou que já foram reforçados mais meios para fazer frente a esta situação.

«Tivemos de relocalizar os bombeiros e agora estamos a mobilizar mais meios para Oleiros onde a situação está muito complicada», afirmou.

Quanto à localidade de Estreito, o autarca admitiu que existem problemas muito graves mas as comunicações estão difíceis e não existe electricidade em grande parte do concelho.

O esforço dos bombeiros dirige-se também para Macieira que se encontra ameaçada pelo incêndio.

O fogo começou na tarde de sábado e segundo disse à Lusa um dos responsáveis dos bombeiros, «dada a intensidade com que as chamas se estão a desenvolver, todos os meios, por muitos que fossem, são incapazes para resolver a situação».

O desânimo transparece também nas palavras do presidente da Câmara de Proença-a-Nova que sente um «grande desgosto» por ver o concelho «transformado num carvão».

Diamantino André referiu ainda que os incêndios já destruiram «mais de duas dezenas de habitações».

Ainda no distrito de Castelo Branco, o incêndio que atinge a região de Monte Gordo alastrou a Sarzedas.

Devido aos incêndios em Castelo Branco e Santarém, a Brigada de Trânsito da GNR apela aos automobilistas para evitarem a utilização da auto-estrada que liga Castelo Branco a Torres Novas.

Mação: fogo controlado no perímetro urbano

O maior problema desta tarde foi em Mação onde existem três incêndios. A vila esteve cercada pelas chamas e o fogo chegou a destruir algumas casas na zona histórica, um lar de idosos e a escola secundária. «Um remoinho de vento» conduziu as chamas para o interior da localidade. O edifício do tribunal no centro da vila de Mação também foi atingido pelas chamas.

Neste momento o fogo que lavrou esta tarde na vila já foi controlado no perímetro urbano, com o apoio de dois helicópteros.

A falta de água está a dificultar o combate às chamas. Os bombeiros sentem-se impotentes porque, «temos meios, só dois carros para defender tudo isto».

O governador civil de Santarém admitiu hoje a impotência dos meios no terreno para fazer frente à «tragédia» que se abateu sobre o distrito.

O fogo ameaça ainda, entre outras, as povoações de Castelo, Santos, Caração, Martelae Rosmanial. O fumo e o calor estão ainda a provocar desmaios entre os populares.

O presidente da Câmara de Mação fez um apelo para serem enviados mais meios para esta região.

Não muito longe, em Abrantes, há um outro fogo de grandes dimensões, perto do Pego e já ameaçou um hotel próximo da central térmica. Trabalhadores da EDP estão a proteger a central e os montes de carvão localizados no interior da estrutura.

O campo militar de Santa Margarida está igualmente a ser ameaçado pelas chamas e os militares já deslocaram equipas de engenharia para defender os paióis.

Os bombeiros dizem que os «meios são insuficientes» e verificam que «o fogo está à porta» de Águas das Casas e Crucifixo.

Ainda na região de Abrantes, segundo o presidente da Câmara, estão a ser colocados meios no Tramagal para uma eventual evacuação da população.

Na zona da Chamusca os trinta habitantes da aldeia de Casalinho foram evacuados pela protecção civil devido ao fogo que ameaça a povoação, segundo o presidente da Câmara local.

De acordo com Sérgio Carrinho, as pessoas, idosos, na maioria, foram transportadas para a localidade de Semideiro, mas esta povoação, que conta com 400 habitantes, está também ameaçada pelo fogo que lavra ainda sem controlo.

Neste momento o fogo ameaça as aldeias de Semideiro, Parreira e Xoto. Os bombeiros são insuficientes para fazer a adequada defesa das povoações.

«Só nos estamos a preocupar com a defesa das pessoas e os bens indispensáveis», afirmou o autarca.

Em Portalegre o maior problema é uma frente de incêndio que deflagrou em Espanha e que está agora a atingir a floresta do concelho de Marvão.

Mais de uma dezena de casas e 80 por cento da área florestal de Gavião já arderam devido aos incêndios que atingem o concelho desde sábado.

Um bombeiro e um civil sofreram hoje queimaduras graves no combate a um incêdio no concelho de Castelo de Vide, segundo fonte do Centro Distrital de Operações de Socorro.

Em Nisa, «o concelho está todo a arder» disse à Lusa a presidente da Câmara fazendo de seguida um apelo de ajuda porque a «situação é insustentável». A autarca referiu ainda que «estamos quase isolados pelo fogo».

No distrito de Leiria surgiu um novo incêndio em Pombal que se está a propagar para o concelho de Ourém.

Na Marinha Grande, continua por circunscrever o incêndio nas Matas Nacionais, entre a Praia da Vieira e São Pedro de Moel. Foi cortado o abastecimento de electricidade a Vieira de Leiria, Praia da Vieira e Moinhos de Carvide.

Na região da Guarda os bombeiros também manifestam grande preocupação face ao elevado número de incêndios e aos meios reduzidos.

Os fogos florestais estão mesmo a rodear, esta noite, a cidade da Guarda, sem a atingir, mas existe «uma espécie de anel de fogo» em volta do centro urbano, disse o presidente da Protecção Civil Municipal e vice-presidente da Câmara, Álvaro Guerreiro.

Os fogos de maior intensidade no concelho da Guarda são em Santana da Azinha, Souto do Bispo, Chãos, Vale de Estrela e Maçainhas. Devido aos incêndios está cortado o trânsito na estrada nacional número 16. Devido aos incêndios no concelho, a Câmara Municipal decidiu accionar o Plano Municipal de Protecção Civil.

O IC1, no concelho de Ourique, foi também cortado ao trânsito devido a um fogo em Santana da Serra.

No distrito de Vila Real um incêndio que lavra no concelho de Alijó está a rondar as aldeias de Pegarinhos e Carlão.

Os habitantes destas duas aldeias estão sem luz nem telefone desde o início do incêndio, que deflagrou cerca do 12:00.

Também no vizinho distrito de Bragança, no concelho de Mirandela, um incêndio está activo desde hoje à tarde perto das aldeiras de Abreiro, Palorca, Avidagos e Navalho.


Sampaio lamenta e apela à «resistência»

O Presidente da República lamentou a morte de nove pessoas na sequência da vaga de incêndios em Portugal quando visitou o Serviço Nacional dos Bombeiros e Protecção Civil em Oeiras. Sampaio expressou ainda «o seu profundo pesar às famílias das nove vítimas mortais».

Jorge Sampaio apelou «à resistência psicológica dos portugueses» e remeteu para o Governo «que tipo de amparo» vai ser dado «às populações prejudicadas». O Presidente remeteu também para o executivo a forma como pode ser definida esta situação -«a definição do actual quadro é uma matéria da competência do Governo», embora a tivesse qualificado com «grave».

Durão Barroso vai ao final da tarde visitar também o Serviço Nacional dos Bombeiros e Protecção Civil em Oeiras.

O vice-presidente do Serviço Nacional de Bombeiros e da Protecção Civil, Pedro Lopes, anunciou hoje um número de telefone do cidadão (21416711), que funciona 24 horas em apoio às populações afectadas por fogos florestais.