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A época tradicional de fogos florestais aproxima-se e o recém criado Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC) prepara com cautela o
Dispositivo Especial de Fogos Florestais. Os meios disponibilizados, apesar de
ainda não serem conhecidos, não devem andar muito longe dos que se verificaram
no ano passado, que se traduziram em 171 bombeiros divididos em grupos de
intervenção permanente - além dos restantes efectivos dos quartéis para uma
segunda fase -, mais meios terrestres das corporações do distrito e quatro
aeronaves em permanência. O ministro da Administração Interna, Figueiredo
Lopes, garantiu já um reforço de meios humanos, num total de 266 homens a nível
nacional, com um aumento de 1,3 milhões de euros no total da verba disponível.
Mas mesmo que este aumento de meios e efectivos não se verifique no distrito, os
disponibilizados o ano passado são considerados suficientes pelos comandantes
das corporações do distrito e também pelo responsável distrital do SNBPC, Ilídio
de Sousa. "A base de trabalho dos últimos anos tem dado uma resposta aos
problemas que se têm verificado. O distrito de Leiria não é dos mais
problemáticos do País, contudo, sempre que arda um hectare é negativo. Mas o
problema não está nos meios de intervenção, é muito mais um problema relacionado
com a prevenção sobretudo com a limpeza, a diminuição de combustível", explica
Ilídio de Sousa. Opinião idêntica tem o comandante da corporação de
Bombeiros Municipais de Leiria, Nuno Cunha Lopes. O responsável garante que o
seu dispositivo está pronto para combater os fogos com que se deparem na sua
área de intervenção, apesar de considerar que "os meios nunca são suficientes".
"Muitas vezes a quantidade de meios não é sinónimo de capacidade de actuação.
Felizmente, temos conseguido trabalhar com uma prontidão elevada e tem-se
conseguido que as áreas ardidas sejam pequenas", refere. Em Mira de Aire, uma
das áreas da zona centro do distrito de Leiria mais fustigada pelos fogos
florestais, o comandante dos Bombeiros Voluntários locais, Carlos Alberto,
considera, igualmente, que as corporações do concelho de Porto de Mós têm
capacidade de intervenção, não obstante o dispositivo que comanda ter
necessidade de viaturas ligeiras de combate a fogos florestais, devido ao tipo
de terreno em que opera, a zona das Serras de Aire e Candeeiros. Os
comandantes de Pombal, Manuel Leal, e Batalha, Manuel Órfão, manifestam uma
opinião idêntica à dos seus congéneres de Mira de Aire e Leiria. No entanto, o
responsável da Batalha revela que, apesar dos meios serem "alguns, nunca são
suficientes", revelando que o quartel tem necessidade de mais um Posto de
Socorro Florestal. Uma das principais preocupações de alguns dos
responsáveis está relacionada com algumas deficiências em termos de equipamento
de protecção individual para o combate aos fogos florestais. No entanto, é
também referido que tem sido feito um esforço nos últimos anos para melhorar
este aspecto.
Números de descontentamento. Em 2002 deram-se 1370 fogos
florestais no distrito de Leiria, correspondentes a uma área ardida de 3.386,80
hectares, que, em medida, dá 2,47 hectares por fogo. São estes os números do
nosso descontentamento. Todos os anos, com o aproximar do calor, as nossas
florestas sofrem com incêndios e, apesar do panorama na região de Leiria não ser
tão grave com em muitos pontos de Portugal, é um facto que todos os anos é muita
a área ardida. Dados disponibilizados pelo Serviço Nacional de Bombeiros e
Protecção Civil, com os números dos fogos no distrito de Leiria, indicam que, em
comparação, houve um crescimento em todos os aspectos. De uma ano para o outro
aconteceram mais 22 por cento de fogos e a área ardida aumentou em 100 por
cento. Dos fogos registados o ano passado, alguns tiveram origem criminosa,
mas foram inferiores a 2001. Leiria está mesmo entre os seis distritos que
tiveram uma diminuição mais significativa deste tipo de criminalidade,
registando-se 289 denúncias. Os dados Serviço Nacional de Bombeiros e
Protecção Civil não permitem traçar uma evolução negativa ou positiva nos
últimos oito anos. A título de exemplo, em 1994 arderam 1.860,88 hectares, num
total de 2024 incêndios, mas em 1995 a área ardida subiu vertiginosamente, ao
arderem 10.105,93 hectares em 2272 fogos. Em contrapartida, um ano depois, a
área ardida desceu para 835,19 hectares, num total de 1913 incêndios e em 1997
os números desceram ainda mais, passando o total de fogos florestais para 1633,
com uma área ardida de 585,17 hectares. Esta diferença de um ano para o
outro está, de acordo com Ilídio de Sousa, dependente de diversos factores,
entre a humidade da atmosfera, o tipo de terreno e a limpeza que é efectuada nas
matas. "Há sempre combustível para arder, uma vez que são florestas, mas dias
com níveis de humidade baixa são os mais sensíveis para o despontar de incêndios
florestais", revela
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