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As chamas teimam em manter--se acesas,
ajudadas pelo calor intenso que se tem feito sentir e, em alguns casos, por mãos
criminosas que, sem qualquer pejo, lançam focos de incêndio. A Polícia
Judiciária de Coimbra procedeu à detenção de mais três suspeitos, responsáveis
por fogos ocorridos em Pombal, Cantanhede e Figueiró dos Vinhos, elevando para
23 o número de detidos pelo crime de incêndio
Os últimos incêndios
parecem dar razão à voz do povo, quando, com muito poucas dúvidas, fala na
origem criminosa de muitos dos incêndios que se têm feito sentido na região,
destruindo uma vasta mancha florestal e pondo em risco pessoas e bens. E a voz
do povo parecer ter razão, menos no que diz respeito aos fogos que deflagraram
na passada quinta-feira em Pombal e em Cantanhede, o mesmo acontecendo
relativamente a Figueiró dos Vinhos, já no mês passado. Com efeito, a
Directoria de Coimbra da Polícia Judiciária confirmou, ontem, a detenção de um
indivíduo, de 40 anos, solteiro, sem profissão, residente no concelho de Pombal,
«indiciado pela prática de cinco crimes de incêndio». Os fogos ocorrem na
quinta-feira, na freguesia de Mata Mourisca, naquele concelho e a detenção do
suspeito verificou-se a meio da tarde, na freguesia da Guia, em estreita
colaboração com o Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Pombal. O
suspeito, sem antecedentes criminais, terá ateado cinco focos de incêndio, «por
motivo fútil», de acordo com a PJ. Deslocava-se de bicicleta e, com recurso a um
normal isqueiro, ateou os fogos, que rapidamente ganharam proporções
significativas, consumindo largas dezenas de hectares de floresta e colocado em
perigo algumas povoações. O incêndio prolongou-se pela noite dentro e ontem
ainda se encontrava activo. Os suspeito foi ontem presente a tribunal, para
primeiro interrogatório judicial e encontra-se em prisão preventiva a aguardar
julgamento. Ainda na quinta-feira, a Polícia Judiciária, através da
Directoria de Coimbra, procedeu à detenção de outro suspeito. Trata-se de um
indivíduo de 57 anos, solteiro, servente de pedreiro, residente na zona de Ançã,
no concelho de Cantanhede. Também sem quaisquer antecedentes criminais, o detido
terá ateado o fogo que deflagrou na tarde de quinta-feira na zona da Granja, que
ontem ainda se mantinha activo. Segundo apurámos, o suspeito deslocava-se de
motorizada e, com um isqueiro, terá ateado o fogo. Presente ontem a tribunal
para primeiro interrogatório, também recolheu ao estabelecimento prisional, onde
se irá manter até ao julgamento.
A “estória” repete-se em Figueiró dos
Vinhos
Se estes dois detidos têm em comum uma idade “mais madura” e a
inexistência de antecedentes criminais, o mesmo não acontece com o terceiro
suspeito detido, também quinta- -feira, pela Judiciária. Trata-se de um jovem
de 23 anos que já cumpriu pena pelo crime de incêndio. Com efeito, segundo
apurámos, o detido, residente na zona de Figueiró dos Vinhos, foi preso em 2003
e julgado oportunamente, tendo a sentença ditada pelo tribunal apontado para
pena suspensa e o pagamento de uma multa pecuniária a favor dos bombeiros.
Parece, pois, que “não chegou a aprender a lição” e voltou a repetir a
“façanha”. De acordo com a Polícia Judiciária, o jovem, servente de pedreiro,
é suspeito da autoria de seis incêndios, cinco dos quais ocorrerem este ano, nos
meses e Junho de Julho passado. Foram incêndios de grande dimensão, que
dizimaram uma extensa área florestal. O sexto fogo terá sito ateado no ano
passado, por alturas do Verão. Quanto ao “modus operandi”, o detido
deslocava-se a pé, recorrendo, à semelhança dos restantes suspeitos, à
utilização de um isqueiro para pegar fogo à floresta. Presente ontem a
tribunal, o jovem, reincidente no crime de incêndio, que inclusive terá
confessado os cinco crimes às autoridades policiais, não ficou, como seria de
esperar, em prisão preventiva. Contrariamente ao que aconteceu com os dois
outros suspeitos, ambos sem antecedentes criminais, este pôde regressar a casa,
onde vai permancer, pois foi-lhe aplicada a medida de coação de termo de
identidade e residência. A estas detenções, efectuadas pela Directoria de
Coimbra da Polícia Judiciária junta-se, recorde-se, outra, verificada
quarta-feira, conforme noticiámos ontem. Trata-se de um agricultor, de 44 anos,
solteiro, que terá ateado dois fogos, em Julho passado, no concelho de Pedrógão
Grande. Ainda ontem, mas no Fundão, os militares da GNR identificaram um
homem também suspeito do crime de incêndio. O caso verificou-se na localidade de
Capinha e o alerta para as autoridades foi dado pelos bombeiros, depois da
população ter avistado um indivíduo suspeito, a quem de imediato imputou a
responsabilidade do fogo. A patrulha da GNR acabou por identificou o jovem, de
20 anos, tendo encontrado em seu poder uma vela. O suspeito, bem como uma mulher
que alegadamente o terá ajudado, foram entregues à Polícia Judiciária da Guarda,
que acabou por proceder à detenção de dois homens, de 20 e 45 anos, e de uma
mulher de 25.
Números que assustam
Com a detenção, ontem, dos
suspeitos de Pombal, Figueiró dos Vinhos e Cantanhede, a Polícia Judiciária de
Coimbra soma um total de 23 detenções pelo crime de incêndio, 16 dos quais são
de natureza florestal e sete urbanos. A nível nacional os números apontavam,
ontem, para um total de 70 detidos. Em 2004 foram detidos, por crimes idênticos,
em todo o país, 80 suspeitos e em 2003, também em todo o território nacional,
98. Relativamente a ocorrências, a nível nacional estavam, até ontem,
contabilizados 1195 situações, 670 das quais registadas em Coimbra. No que
concerne a inquéritos, decorrem, em todo o país, 547, dos quais 361 pertencem a
Coimbra. Em causa estão números que se impõem pelo seu peso, particularmente
no que se refere à área de actuação directa da Directoria de Coimbra da Polícia
Judiciária (excluindo os departamentos da Guarda, Aveiro e Leiria). Números que
assustam pela dimensão que apresentam, sobretudo em comparação com o todo do
território nacional. Parece que, efectivamente, os incendiários andam por aí,
activos, o mesmo se podendo dizer da Polícia Judiciária que não tem “mãos a
medir” para ocorrer a todas estas situações.
Região Centro continua a
arder O Inferno desceu à terra
Ao fim de três dias as chamas continuam
a lavrar com intensidade, deixando um rasto de destruição de que não há memória.
Pombal já pediu ao Governo a declaração de calamidade pública, e mantém-se a
braços com fogo por todos os lados, sem meios capazes de o combater. Em Mira e
Cantanhede os incêndios mantinham-se, ontem à noite, activos, mobilizando mais
de duas centenas de bombeiros. Mais sorte teve o concelho de Miranda do Corvo,
onde depois de uma noite agitada, onde três bombeiros ficaram feridos, o fogo
deu tréguas e a situação acalmou. Também em Tábua as chamas se mostraram ontem
activas, o mesmo acontecendo em vários concelhos dos distritos de Aveiro, Leiria
e Viseu, transformando a Região Centro num imenso braseiro
Mais de 300
hectares de floresta foram consumidos no incêndio que deflagrou quinta-feira à
tarde próximo da localidade de Chapinha, em Miranda do Corvo, e que foi
circunscrito ontem de manhã. Mais de 120 de bombeiros participaram no combate às
chamas, tendo provocado ferimentos em três deles devido à queda de um poste da
linha de telefone. Só ontem de manhã os bombeiros conseguiram extinguir o
incêndio que deflagrou na véspera na encosta da Chapinha, no concelho de Miranda
do Corvo. O fogo eclodiu por volta das 18 horas numa zona bastante íngreme, o
que dificultou a tarefa aos cerca de 120 soldados da paz que foram mobilizados
para o combate às chamas, auxiliados por meios aéreos. O incêndio acabou por
se dividir em duas frentes, uma avançou para a encosta da aldeia serrana do
Galhardo, tendo merecido maior atenção por parte dos meios áreas por se
encontrar numa zona pouco acessível. A outra subiu pela encosta da Chapinha e
só de madrugada, por volta das 04 horas, foi dada como circunscrita. Segundo
fonte do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, ontem de manhã ainda
se encontravam no local 90 bombeiros em trabalhos de rescaldo. No combate às
chamas, três bombeiros, dois da corporação de Miranda do Corvo (um partiu dois
dedos e outro teve uma luxação) e outro de Góis (partiu o pé), acabaram por
sofrer ferimentos devido à queda de um poste de telefone que os atingiu de
raspão. Ao todo arderam mais de 300 hectares de mato e eucaliptal. Segundo
Fernando Jorge, comandante dos Bombeiros Voluntários de Miranda do Corvo, este
foi até ao momento o maior incêndio verificado no concelho. De acordo um
vigilante de floresta presente no local, os helicópteros sentiram bastantes
dificuldades no abastecimento, uma vez que tinham de se deslocar à barragem das
Louçainhas e a água perdia-se pelo caminho. Este vigia criticou a
inexistência de um ponto de água na ribeira do Espinho, um local que, segundo
afirmou, é abundante em água e não seca no Verão.
O presidente do
município de Pombal estava ontem, ao início da noite, extremamente preocupado
pela devastação das chamas que atingem o concelho há três dias sem dar tréguas
aos bombeiros. Narciso Mota contou ao nosso Jornal «nunca ter visto uma coisa
assim», e manifestou-se impotente para travar «esta calamidade», que assola
várias freguesias de Pombal. «As chamas atravessaram todo o concelho e já
foram consumidos mais de 100 quilómetros de floresta», contou, inconsolável, o
autarca de Pombal, considerando a devastação uma «tragédia nunca vista» nos oito
séculos de história do concelho. Narciso Mota, que já pediu ao Governo a
declaração de calamidade pública para o concelho, referiu que nestes três dias
os prejuízos «atingiram praticamente todos» e que estes «são
incalculáveis». Seis casas habitadas e quatro desabitadas foram consumidas
pelo fogo, que, segundo o autarca, também matou animais, arrasou estábulos,
armazéns, arrecadações, alfaias agrícolas e dizimou mais de 100 quilómetros de
floresta. «Neste momento (ontem às 20h00) o fogo é de tal ordem na freguesia
de Almagreira, que não sei se os bombeiros são capazes de o circunscrever hoje
(ontem)», disse Narciso Mota apreensivo. O autarca, que se tem desdobrado em
reuniões com os parceiros da ADSICÓ a quem pediu solidariedade, espera, agora,
que o ministro da Administração Interna «venha ver como este concelho ficou, ver
a miséria das populações», e prestar- -lhes a devida ajuda. «As pessoas se
tiverem sentido de Estado, patriótico e humano, não devem querer que andemos de
chapéu na mão a pedir», referiu o autarca, sustentando que basta ir ao concelho
de Pombal «para ver o estado em estamos». Narciso Mota enfatizou, ainda, que
as populações «estão psicologicamente abaladas» e que esta tragédia acaba «por
limitar as suas vidas», pois a grande maioria dos atingidos pelo fogo, dependia
da pecuária, resina, da agricultura, da floresta e, agora, «perderam tudo o que
tinham».
Uma fatalidade
Face à calamidade, Narciso Mota decidiu
ontem pedir ao Governo a Declaração de Calamidade Pública para o concelho. «Este
quadro, por si só, assume-se como uma fatalidade que se abateu sobre pessoas e
bens», sublinha o presidente da câmara. Narciso Mota criticou a «manifesta
insuficiência de meios de combate» aos fogos, nomeadamente a «ausência de meios
aéreos», que na sua óptica «contribuiu para a extensão e gravidade da
catástrofe». Segundo o edil de Pombal, «grande parte do combate aos incêndios
foi levado a cabo por populares e empresas», que responderam à entrada em vigor
do Plano Municipal de Emergência. Narciso Mota assinala a surpresa pela
«ocorrência simultânea de múltiplos incêndios» nas 13 freguesias afectadas, o
que obrigou à evacuação de diversas populações e lares de idosos. Já a meio da
tarde de ontem, utentes dos centros de dia Matamourisca e Albergaria dos Doze
foram transferidos para locais mais seguros do concelho. Os fogos provocaram
ainda cortes no abastecimento de electricidade, na rede de telecomunicações e em
vias de comunicação. No concelho de Pombal, as situações mais graves
registadas até às 18h30 de ontem deram-se em Albergaria dos Doze, onde o Lar S.
Pedro foi evacuado, em Almagreira, onde algumas explorações agrícolas foram
destruídas e morreram alguns animais. Ainda em Almagreira, os utentes do Lar do
Paço foram transferidos para a Zona Desportiva de Pombal, que recebeu também
parte da população de Carnide, onde foram destruídas as dez casas pelo
fogo. Ontem ao fim da tarde e início da noite ainda se registavam incêndios
nas freguesias da Guia, Ilha, Mata Mourisca, Meirinhas, Pombal, S. Simão de
Litém e Vermoil, onde, segundo o autarca, «ainda estão a ser consumidas vastas
manchas florestais».
Doze das 29 freguesias do concelho de Leiria estavam
ontem ao final da tarde a ser consumidas pelos incêndios, uma situação que a
presidente da autarquia, Isabel Damasceno, considerou «preocupante». Além dos
incêndios de Cortes, Caranguejeira, Colmeias e Souto da Carpalhosa, activos
desde quarta-feira, a autarquia lembra que também se registam fogos em Memória,
Ortigosa, Bidoeira, Regueira de Pontes, Pousos, Arrabal, Monte Real e Milagres.
«Quando se pensa que a situação está controlada, depois reacende-se noutro
lado», explicou Isabel Damasceno. Depois de visitar alguns dos locais
atingidos pelo fogo, a autarca considerou «um milagre» não terem ardido mais
habitações. Em Leiria, até ao início da tarde, havia apenas registo de uma
habitação ardida em Serra do Branco, duas suiniculturas destruídas em Bidoeira e
Famalicão das Cortes, onde uma casa ficou danificada. Ao princípio da noite,
de acordo com o Serviço Nacional de Bombeiros, estavam mobilizados 196 bombeiros
para zona de Valonga. Em Penedo encontravam-se 193 bombeiros. Ambos os incêndios
estavam longe de ser controlados, o mesmo acontecendo na Bidoeira.
Chamas
em Viseu e Aveiro
No distrito de Aveiro onde, à semelhança do que
aconteceu em Leiria foi activado o Plano Distrital de Emergência as chamas
mantiveram-se particularmente activas nos concelhos de Vale de Cambra, Arouca,
Oliveira de Azeméis, Sever do Vouga, Albergaria-a-Velha e Vagos. Ao princípio da
noite, de acordo como Serviço Nacional de Bombeiros, todos os focos de incêndios
estavam circunscritos, com excepção de Janarde, em Arouca, e Oussela, em
Oliveira de Azeméis. Relativamente ao distrito de Viseu, a noite chegou sem
que estiverem dominadas as chamas em Castro Daire, Penalva do castelo, Viseu e
Santa Comba Dão, tendo sido entretanto circunscritos os fogos de Amial (Castro
Daire) e Cavernães (Viseu).
Mancha verde reduzida a cinzas Mais um dia
de aflição em Cantanhede e Mira
Depois de uma luta desigual de largas
horas entre bombeiros e chamas, o fogo que anteontem deflagrou entre Porto
Carros e Ançã acabou por dar tréguas eram já 2h00 da madrugada de ontem. Mas,
quando tudo parecia mais calmo, o incêndio voltou a reacender na manhã de ontem,
pela terceira vez consecutiva na localidade de Porto Carros, freguesia de
Murtede. Mais uma vez o cenário se repetiu e as chamas alastraram-se a Ferraria,
Portunhos e, já a seguir ao almoço, chegaram, novamente, a Ançã. A zona da
auto-estrada foi uma das áreas mais fustigadas pelas chamas. Foi activado o
Sistema Municipal de Emergência e durante muitas horas, bombeiros, populares e
funcionários da Câmara de Cantanhede fizeram de tudo para travar o fogo. Eram
cerca de 30 os funcionários da Inova e autarquia, entre eles Jorge Catarino, que
durante toda a tarde de ontem estiveram no teatro de operações, tentando por
todos os meios apaziguar as chamas. Para além dos meios humanos, a Câmara
colocou ainda ao serviço uma retroescavadora e pá, um carro de primeiro combate
e ainda cisternas. Na retaguarda esteve o vereador João Moura com um carro de
abastecimento, com água e alimentos, para prestar auxílio aos
bombeiros. Segundo informação do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção
Civil, na frente de combate em Porto Carros estiveram 53 bombeiros e 12
viaturas. Já na Granja de Ançã, foram utilizados 4 carros de combate a
incêndios, dois meios aéreos e 18 bombeiros. Em Mira, depois de anteontem se
terem vivido momentos muito dramáticos, em que até o Parque de Campismo de Vila
Caia teve de ser evacuado, ontem o cenário não foi muito diferente. No limite de
concelho, entre Mira e Vagos, as chamas não deram tréguas. No local estiveram 99
homens, 28 veículos e até ao início da tarde 8 aviões, segundo o Serviço
Nacional de Bombeiros e Protecção Civil.
Dois incêndios em
Tábua
Também em Tábuas as chamas se fizeram sentir. O alerta para os
bombeiros foi dado pouco antes do meio-dia, para a zona de Vale de Taipa, para
onde rapidamente foram mobilizados todos os meios da corporação de Voluntários
de Tábua. De acordo com fonte dos bombeiros, apesar da intensidade das
chamas, que lavraram ao longo de toda a tarde, atingindo proporções gigantescas,
não houve habitações em risco, mantendo-se o fogo sempre dentro da
floresta. A ajudar os soldados da paz de Tábua estiveram os bombeiros de
Coja, Arganil, Oliveirinha e Oliveira do Hospital, com um total de 80 homens,
apoiados por 19 viaturas, bem como pelas descargas efectuadas por um helicóptero
de Santa Comba Dão. Às 20 horas o incêndios estava controlado, decorrendo as
operações de rescaldo, que mantinham no terreno cerca de cinco dezenas de
bombeiros. Um outro incêndio atingiu o concelho de Tábua, na freguesia de
Vila Nova de Oliveirinha, para onde foram mobilizados 31 bombeiros e dois meios
aéreos. O fogo começou ao princípio da tarde e foi circunscrito por volta das
16h00, mantendo-se no local, durante toda a tarde, meios manteriaes e humanos a
garantirem o rescaldo. À noite, por volta das 21h00, as chamas voltaram a
reacender-se.
Devido “à extrema gravidade” actual dos fogos Ministro
apela ao “esforço de todos”
O ministro de Estado e da Administração
Interna apelou ontem aos patrões para que “libertem” os seus empregados que são
bombeiros voluntários para ajudar no combate aos incêndios. «Apelo a todas as
entidades patronais que tenham bombeiros como empregados que os dispensem para
que estes se apresentem nos respectivos quartéis para ajudar no combate aos
incêndios», disse António Costa, numa conferência de imprensa realizada no
Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC), em Lisboa. As
dezenas de incêndios que lavram pelo país obrigam a uma rotação de pessoal,
sendo necessária a ajuda de mais bombeiros voluntários para evitar a ruptura. O
facto de, em vários locais, nomeadamente no distrito de Leiria, as condições
atmosféricas (excesso de fumo) impedirem a utilização de meios aéreos também faz
com que seja necessário utilizar mais homens e viaturas. O ministro classificou
de «extrema gravidade» a actual situação dos fogos em Portugal Continental, mas
lembrou que quinta-feira os bombeiros conseguiram extinguir 411 fogos e que
«apenas 16 transitaram para hoje (ontem)». António Costa realçou ainda a
ajuda prestada pelo Exército, que disponibilizou mais 14 pelotões, num total de
mais de 400 homens e o apoio da força aérea que, quarta-feira, disponibilizou um
helicóptero. «A questão central neste momento é arregaçar as mangas e de uma
forma organizada combater os incêndios e impedir que haja vítimas humanas e
habitações destruídas», afirmou. Para o ministro da Administração Interna, a
«dimensão gigantesca» dos incêndios exige a presença do maior número de
efectivos possível para se fazer a rotatividade de meios humanos e evitar uma
«situação humanamente insustentável», devido ao cansaço. «Estamos a viver um
período particularmente difícil e peço a ajuda de todos: populações, bombeiros e
autarcas», apelou.
Chamas queimaram a “melhor área florestal” da
freguesia e só pouparam Rios Frios “Um pandemónio” em Vil de Matos
Ana
Margalho «Tenho 55 anos e nunca vi aqui coisa semelhante». António Matos,
presidente da Junta de Vil de Matos confirmava, assim, o «pandemónio» que se
viveu ontem naquela freguesia de Coimbra. As chamas terão eclodido cerca das
14h17 nas traseiras da igreja local, mas ao final da tarde ficava confirmado que
apenas a localidade de Rios Frios tinha, ainda, escapado ao fogo. A extensa
nuvem de fumo, vinda da freguesia, era visível em toda a cidade de Coimbra,
durante a tarde. «A melhor área florestal da freguesia está ardida», confirmava
o autarca, lamentando que o incêndio que, durante a tarde, foi devastando a
freguesia, tenha provocado danos no polidesportivo e no posto médico de Vil de
Matos. «O calor rebentou com os vidros e derreteu todos os estores do edifício»,
contou António Matos ao Diário de Coimbra, dando «graças a Deus» por «não haver
nem habitações nem vidas em perigo». O autarca não tem dúvidas. «É fogo
posto!», garantiu, recordando-se de «umas brincadeiras» que fizeram na freguesia
«durante mês e meio todos os fins-de-semana» e explicando que «este incêndio já
é a 13.ª ou 14.ª vez que é reactivado num só dia. Não é normal». E isto apesar
de estarmos perante uma frente de incêndio que começou em Cavaleiros (Mealhada),
continuou por Portunhos para poente até à chamada Mata da Machada e dali até Vil
de Matos, onde as chamas não deram tréguas às três corporações de bombeiros de
Coimbra e às populações que se encontraram no local. Cerca das 19h00, os
meios aéreos tinham abandonado o incêndio, mas António Matos dava conta que o
fogo estava a reactivar ao início da A-14, com problemas para a circulação
automóvel naquela via. Contactada pelo Diário de Coimbra, a Brigada de Trânsito
de Coimbra confirmou que, durante a tarde, foi ponderada a hipótese de cortar
aquela via de acesso à Figueira da Foz, mas que o trânsito sempre fluiu, embora
«com muita prudência e apenas por uma das faixas de rodagem». «Se as chamas
continuarem a avançar para a A-14 voltaremos a pensar em cortá-la», garantiu
fonte da BT de Coimbra. Contudo, tal não foi necessário, como confirmaria fonte
da BT ao início da noite. Também ontem, um incêndio consumiu cerca de três
hectares de mato e eucalipto na Cegonheira, junto à Quinta do Mirante, em
Coimbra. As chamas eclodiram cerca das 5h00 e foi considerado extinto às 7h40.
Ao local deslocaram-se os bombeiros de Coimbra – Sapadores e Voluntários – e os
Voluntários de Brasfemes.
CCDRC alerta populações para possíveis perigos
da poluição atmosférica Limites de ozono ultrapassados em Aveiro, Leiria e
Coimbra
A concentração de ozono na atmosfera ultrapassou, durante o dia
de ontem, o Valor Limiar de Alerta à População previsto na legislação, podendo
afectar populações de vários concelhos dos distritos de Aveiro, Coimbra e
Leiria. Os valores, de mais de 240 microgramas de ozono por metro cúbico,
foram registados entre as 15 e as 16h00, nas estações de Teixugueira, em
Estarreja (304 microgramas de ozono por metro cúbico de ar) e de Ílhavo/EB 2,3
de Ílhavo (255 microgramas de ozono por metro cúbico de ar). Foi ainda
ultrapassado o Valor Limiar de Informação ao Público (189 microgramas por metro
cúbico de ar) na Estação de Ervedeira, Leiria, com um valor de 231 microgramas
de ozono por metro cúbico de ar. Esta situação está a afectar vários
concelhos da zona centro, nomeadamente dos distritos de Aveiro, Coimbra e
Leiria. A informação foi avançada ontem pela Comissão de Coordenação e
Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) que alerta as populações para as
consequências a exposição a este poluente, nomeadamente ao nível das mucosas
oculares e respiratórias, com sintomas como tosse, dores de cabeça, dores de
peito, falta de ar e irritações oculares. Recomenda-se, portanto, que seja
reduzida, ao mínimo, a actividade física intensa ao ar livre, que se evite
outros factores de risco como fumar ou contactar com produtos irritantes que
contêm solventes, que se respeite os tratamentos médicos em curso e ainda que se
recorra a cuidados médicos em caso de eventuais agravamentos dos sintomas.
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