As autoridades apontam o dedo a uma caldeira de aquecimento de água como a causa do acidente e consideram que não ter havido mortes “foi um milagre”.

A explosão numa fábrica de redes de pesca, instalada na zona industrial da Formiga, no perímetro urbano da cidade de Pombal, provocou ontem, ao início da tarde, 14 feridos graves, todos funcionários da empresa, segundo fonte dos Bombeiros Voluntários locais. De acordo com a mesma fonte, presume–se que o acidente teve origem numa caldeira de aquecimento de água. Na sequência da explosão, a caldeira, de grandes dimensões, foi projectada para o edifício de uma empresa vizinha, de produção de materiais de construção para o lar. Na altura, não se encontrava ninguém no interior da outra fábrica, que também ficou bastante danificada.
O DIÁRIO AS BEIRAS apurou que os feridos foram assistidos no Hospital Distrital de Pombal, que depois transferiu as situações de maior gravidade para Leiria e Coimbra. Segundo Luís Garcia, director do Hospital Distrital de Pombal, foram transferidas três mulheres com traumatismos cranianos e problemas ao nível da coluna. O médico e os bombeiros confirmaram que as vítimas apenas apresentavam escoriações e traumatismos no corpo provocados pelas consequências da explosão. As autoridades não encontraram, entre os feridos (mulheres entre os 28 e 65 anos), pessoas com queimaduras, o que aumenta as suspeitas de que o acidente foi provocado pela caldeira.
Armando Ferreira, comandante dos Bombeiros Voluntários de Pombal, não escondeu a sua surpresa quando chegou ao local do acidente e registou a “violência da explosão”, que danificou, quase por completo, a empresa. O comandante admitiu que “apesar da gravidade da situação pode–se dizer que ocorreu um milagre”. Armando Ferreira esclareceu que “foi uma sorte não ter morrido ninguém”. O acidente foi registado no período da hora de almoço e a maioria dos funcionários estavam a preparar–se para sair da fábrica e não se encontrava ninguém junto da caldeira.
A empresa (Redelusa) dedicava–se à produção de fios para pesca e empregava 90 funcionários, a maioria do sexo feminino. Uma das funcionárias mais antigas da fábrica adiantou ao DIÁRIO AS BEIRAS o que viu e ouviu no momento da explosão, admitindo que receia pelo seu futuro em virtude das graves consequências físicas que a explosão provocou na unidade industrial.
“Trabalho aqui há 15 anos e nunca vi nada assim. Estávamos a sair da empresa para ir almoçar quando ouvimos um barulho, as paredes estremeceram e depois vimos a fábrica a ruir”, recordou a funcionária da Redelusa.
Carlos Carvalho, ex–comandante dos Bombeiros Voluntários de Pombal, e proprietário de uma empresa vizinha, foi a primeira testemunha a chegar ao local. O ex–comandante esclareceu que ouviu a explosão, seguida de gritos e correu em direcção ao local do acidente. Quando chegou assistiu a situações de pânico e, com a ajuda do filho, ainda socorreu duas mulheres que manifestaram sinais de problemas cardíacos. Carlos Carvalho adiantou que não sentiu qualquer cheiro a gás nem viu qualquer tipo de chama. Apesar de não querer adiantar prognósticos sobre as eventuais causas do acidente, o ex–comandante da corporação de Pombal admitiu que também suspeita da caldeira de aquecimento de água.
“Estas caldeiras são autênticas bombas”, admitiu.
Os bombeiros mobilizaram “o quartel inteiro” para o local e ainda receberam o apoio das corporações de Soure, Ansião, Leiria e Condeixa–a–Nova e dos médicos e dois helicópteros do INEM. No total, estiveram no local do sinistro entre 40 a 50 “soldados da paz”.
A rapidez da acção de todos os meios da protecção civil recebeu rasgados elogios do governador civil de Leiria. José Miguel Medeiros, que também foi ao local do acidente, destacou o trabalho de todos os elementos da protecção civil, que mostraram que “em casos como este, os meios estão em sintonia e funcionaram com eficácia, evitando consequências mais graves”.
Narciso Mota, presidente da câmara, e responsável máximo pela protecção civil no concelho, também passou pelo local e adiantou que a empresa estava licenciada e a laborar dentro da legalidade. O autarca esclareceu que a fábrica é inspeccionada pelas entidades competentes com alguma periodicidade. No entender de Narciso Mota, o que aconteceu pode ocorrer até na residência de qualquer pessoa que tenha uma caldeira.
“Não existe nenhuma estrutura de betão que resista a uma explosão com aquela dimensão”, disse.
Confrontado com o futuro da empresa, o proprietário recusou–se a prestar informações aos órgãos de comunicação social.