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Um dia antes de cometer o crime, o homicida avisou a família da vítima: “Eu vou preso, mas ela vai ser enterrada”, ameaçou José Antão, de 57 anos. Ontem de manhã, a promessa foi cumprida. Estrangulou a companheira até à morte, em Matas, Pombal, e avisou o 112 que ia matar-se. Os bombeiros chegaram a tempo de o salvar mas já nada puderam fazer por Maria Rosário.

Os episódios de violência doméstica entre o casal não eram novidade para ninguém. Segundo os moradores, José Antão, jardineiro numa junta de freguesia, “tinha maus vinhos” e “agredia com frequência” a companheira, Maria Rosário Ventura das Neves, de 47 anos.

Nos últimos tempos, as agressões aumentaram e Maria Rosário fartou-se. A conselho de uma filha, queixou-se às autoridades, que a encaminharam para um centro de acolhimento de apoio à vítima.

A semana passada, porém, a mulher aceitou regressar para a casa de José Antão, uma habitação rural, na rua dos Amaros, em Matas, freguesia do Louriçal, concelho de Pombal.

Apesar da reconciliação, o processo relacionado com as agressões seguiu os trâmites legais e José Antão estaria notificado para prestar declarações. Temendo as consequências da investigação, na sexta-feira à noite desabafou com a mãe da vítima: “Eu vou preso, mas ela vai ser enterrada.” Maria Ventura, 74 anos, ouviu mas não ligou. Ontem, estava inconsolável. “Aquele ladrão matou a minha filha.”

Pouco depois das 08h00, o jardineiro estrangulou Maria Rosário, ainda na cama. Em seguida, ligou a um dos irmãos da vítima, informando-o, sem sinais de arrependimento: “A tua irmã acabou de ser cadáver.” E desligou o telefone.

Voltou a fazer uma chamada, desta vez para o 112, a dizer que tinha morto uma pessoa. E saiu para o exterior da casa, com o propósito de se suicidar. Subiu a uma nespereira, atou uma corda ao pescoço e atirou-se.

Quando os bombeiros chegaram ao local, encontraram-no em asfixia, mas a tempo de o reanimar e transportar ao Hospital da Figueira da Foz. Teve alta horas depois e foi detido para interrogatório.

FILHO FOI RECUSADO

ADOPÇÃO

A vítima estava viúva há três anos e tinha cinco filhos. O mais novo, de sete anos, foi dado para adopção porque o companheiro “não o queria em casa”, revelaram os familiares. Maria Rosário vivia com José Antão há dois anos e tinha sido internada duas vezes.

CADÁVER

O corpo de Maria Rosário encontrava-se em cima da cama do quarto do casal. Foi transportado para o Gabinete de Medicina Legal do Hospital da Figueira da Foz, onde vai ser autopsiado. O caso ficou entregue à Polícia Judiciária de Coimbra.

DOENÇA

Maria Rosário sofria de epilepsia e terá dito aos familiares que não andava a sentir-se bem nos últimos tempos. Ao receber a notícia da sua morte, o irmão, José Francisco Neves, pensava que ela tinha falecido por causa da doença. Só depois soube do crime.