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A explosão de uma caldeira numa fábrica de redes de pesca, em Pombal, provocou 14 feridos, todos do sexo feminino, e destruiu as instalações da unidade industrial. Três pessoas foram transferidas para os hospitais dos Covões, em Coimbra, e Santo André, em Leiria. Um traumatismo craniano e lesões na coluna foram as situações clínicas consideradas mais graves, embora sem implicar risco de vida, segundo informou fonte hospitalar. Seis das 14 mulheres tiveram alta ao final da tarde, revelou à Agência Lusa o director do hospital concelhio, Luís Garcia. Segundo este responsável, permanecem internadas apenas cinco mulheres.

De acordo com o comandante dos bombeiros de Pombal, Armando Ferreira, estão no local equipas com cães para fazer buscas nos destroços mas todos os dados indicam que não existem mais vítimas. "Foi feita uma contagem e não falta ninguém, mas vamos retirar os destroços a pouco e pouco, por precaução", explicou este responsável.

A administradora da empresa, Maria de Lurdes, afirmou à Agência Lusa que o fogo destruiu um dos oito pavilhões da fábrica, dedicado ao tratamento e acabamento do produto, pelo que a linha de produção "ficará seriamente afectada" até que sejam repostos os equipamentos perdidos.

Para o segundo-comandante dos bombeiros, José Costa, que dirigiu as operações, "foi um milagre e a tradicional sorte portuguesa" que impediram que acontecesse uma tragédia na zona industrial da Formiga. A sorte e o milagre estavam à vista a caldeira - um cilindro metálico de dois metros de comprimento com um metro de diâmetro - saiu disparada como um tiro de canhão do interior da fábrica, atravessou a rua e foi despenhar-se num armazém em frente, destruindo a parede, sem atingir ninguém.

Pelas 12.30, altura da explosão, apenas vinte das 70 trabalhadoras da RedeLusa se encontravam no interior das instalações, e a maioria estava afastada da caldeira. Daí que os ferimentos tenham sido sobretudo causados por estilhaços motivados pela explosão e pela queda do telhado da fábrica. Mas a violência do impacto, a imagem de destruição e o susto que apanharam fizeram com que a maioria das mulheres ficasse em estado de choque, chorando convulsivamente e manifestando dificuldade em articular qualquer palavra, o que justificou o apoio recebido por parte de uma psicóloga do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que se deslocou ao local.

Mais calma, Teresa Franco, que entrava no turno dali a duas horas e meia, abanava a cabeça, ao mesmo tempo que dizia, de olhos bem abertos e fixos na fachada esventrada, não ter palavras para exprimir o que sentia. Maria de Lurdes Correia, uma das responsáveis pela empresa, encontrava-se igualmente estupefacta com o cenário de destruição. No momento da explosão, disse, "estava no outro lado do pavilhão, pelo que não vi o que sucedeu". Porém, apresenta outra versão do acidente "Foi um depósito de condensados que cedeu, não aguentou a pressão, pois só tinha vapor de água. É que se tivesse sido a caldeira a explodir, as consequências seriam muito piores", acrescentou