Autarca de Pombal acusa Estado de "não dar o
exemplo" na limpeza da floresta
No mesmo dia em que mais de duzentos bombeiros lutaram contra as chamas que consumiam a Mata Nacional do Urso, o presidente da Câmara Municipal de Pombal,
Narciso Mota, acusou o Estado de "não dar o exemplo" na limpeza da sua floresta.
Ao início da noite, além do fogo que lavrava no distrito de Leiria, permaneciam
por circunscrever outros dois focos de incêndio, nos distritos de Braga e
Bragança. Para hoje, e segundo a previsão do Instituto de Meteorologia, os
distritos de Viana do Castelo, Bragança, Guarda e Viseu enfrentam um risco muito
elevado de incêndio.
A actuação do Governo no combate às chamas
florestais mereceu as críticas do autarca de Pombal, que responsabilizou o
Executivo pelos "dramas diários" que atingem a população. Em causa, acusa, está
a "falta de coordenação dos meios e de ordenamento do território", assim como as
falhas na limpeza da floresta.
Um exemplo negro da alegada negligência
das autoridades era, para Narciso Mota, os milhares de hectares que ontem ao
final do dia continuavam a arder na Mata do Urso - "mata do Estado que está mal
limpa". De acordo com o ponto da situação traçado pelo Serviço Nacional de
Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC) às 18.35, o incêndio do Osso da Baleia, no
concelho de Pombal, mobilizava 203 homens, 55 viaturas e dez meios
aéreos.
Além de todo o mato - por limpar - que dificultava o trabalho dos
bombeiros, também os escassos acessos terrestres e as fortes rajadas de vento
inconstante perturbavam os esforços dos homens rumo à frente de fogo. A densa
nuvem de fumo impedia a visibilidade dos aviões de combate e, à hora de fecho
desta edição, as chamas que caminhavam para sul permaneciam
incontroláveis.
O coordenador distrital da Protecção Civil, José Manuel
Moura, afirmou que o violento fogo poderá ter tido origem criminosa e considerou
"impossível controlar o que quer que seja", com "cinco focos de incêndios uns
atrás dos outros".
Além dos pinheiros da densa Mata do Urso, as chamas
consumiam também uma área florestal em Torneiro, no concelho de Cabeceira de
Basto, distrito de Braga, envolvendo 41 homens, 11 viaturas e quatro meios
aéreos.
No distrito de Bragança, que hoje volta a merecer um alerta
"muito elevado" por parte dos serviços meteorológicos, 67 bombeiros, 19 viaturas
e quatro meios aéreos tentavam ainda ao início da noite circunscrever o fogo que
deflagrava na região de Ligares, no concelho de Torre de
Moncorvo.
Durante todo o dia as chamas florestais avançaram também no
Outeiro, distrito de Bragança, assim como nas localidades de Cardeal, Prados, e
Fornos de Algodres, distrito da Guarda. No entanto, ao final do dia, estes
incêndios encontravam-se já circunscritos. Em fase de rescaldo estava o incêndio
que atingira Várzea, no concelho de Santa Maria da Feira, no distrito de
Aveiro.
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