
incêndios Aveiro, Leiria, Vila Real e Viseu accionaram os planos distritais de emergência Circulação na A1 interrompida ao princípio da noite e vários carros podem ter sido atingidos
O apoio das populações no combate aos fogos tem sido fundamental. Na Fonte do Oleiro, em Leiria, viveram-se momentos dramáticos
O dia 4 de Agosto de 2005 não sairá tão cedo da cabeça dos mais de três mil bombeiros que, ontem, lutaram contra a força das chamas em todo o País. Arouca (Aveiro), de manhã, e Leiria, à tarde, viveram os momentos mais difíceis da fúria do fogo.
Foram accionados os planos distritais de emergência e protecção civil em Aveiro, Leiria, Viseu e Vila Real. Várias casas e fábricas arderam. Há pessoas que, por precaução, tiveram de abandonar os seus lares. As comunicações telefónicas nos distritos de Vila Real, Viseu e Porto foram afectadas. A PJ deteve três alegados incendiários. Vários concelhos amanheceram cobertos de um manto espesso de fumo empurrado pelo vento. A circulação automóvel foi cortada em várias vias. Um cenário dantesco que, avaliar pelas previsões, se deverá repetir hoje. O pior dia do ano. Às 19.41 horas, o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil dava conta de 32 incêndios não circunscritos.
Em Arouca, nem os mais velhos se lembram de um incêndio assim. No lugar do Ferral, encosta da Senhora da Mó, um episódio dramático. "Acudam a minha mãe que está ali sozinha e vai morrer queimada". O grito desesperado de uma mulher chegou aos bombeiros, que, mesmo correndo risco de vida, foram buscar a anciã, que procurou refúgio num campo de milho, por julgar que ali era o melhor local para se proteger.
Em Leiria, há registo de um ferido, com queimaduras de segundo grau, que deu entrada no hospital local a meio da tarde. A situação era de tal modo grave que foram pedidas ajudas aos distritos de Coimbra, Santarém e Castelo Branco. Ao princípio da noite, a circulação na A1, entre Coimbra Norte e Leiria, foi interrompida, depois de ter sido arrancado o separador central, permitindo a evacuação dos veículos que, no momento, ali se encontravam. Cerca das 9 horas, um automóvel ardeu no acesso à A1, na zona de Pombal, atingido pelas chamas do fogo de Almagreira.
* Com Almeida Cardoso, Helena Simão e Salomão Rodrigues