Um total de 110 quilómetros quadrados da área florestal do concelho de Pombal foram destruídos pelo fogo que assolou a zona centro no final da semana passada - um quarto de floresta dizimada. O autarca Narciso Mota já enviou ao primeiro-ministro o pedido de estatuto de calamidade pública.
Os números que começam a ser divulgados no rescaldo dos incêndios da passada semana são assustadores. Somando os três grandes fogos ocorridos na quinta e sexta-feira em Leiria e Pombal, o saldo pode superar os 4 500 hectares de floresta queimada. A Direcção-Geral dos Recursos Florestais tem oito brigadas a percorrer estes dois concelhos para fazer o levantamento rigoroso dos danos. Os números finais deverão ser divulgados ainda hoje.
Ontem foi desactivada a célula de crise no âmbito do Plano Distrital de Protecção Civil Distrital de Leiria. Para já, de acordo com a análise provisória do Governo Civil, sabe-se que o momento mais crítico ocorrido na quinta-feira envolveu 1152 bombeiros. Além disso, foram evacuadas mais de 200 pessoas - das aldeias de Memória, Albergaria dos Doze e Espite - e arderam 14 habitações.
Foram dias e noites em que os bombeiros chegaram ao limite das suas forças e ficaram com viaturas inoperacionais. Foram gastos milhares de litros de gasóleo por hora. Ainda é cedo para avaliar os danos, mas os autarcas estão no terreno com técnicos de serviço social e divisão de obras para contabilizar os prejuízos.
"Se cada hectar de floresta rende 5 milhões de euros e se nos três grandes incêndios arderam 4 500 hectares, é só fazer as contas...", desabafa o comandante dos Bombeiros Municipais de Leiria, corporação que perdeu sobretudo mangueiras. Para Nuno Lopes, o Governo deveria alterar a lei que estrutura a propriedade, obrigando os proprietários a limpar a floresta e, caso não o fizessem, perderiam o direito a ela". Face às críticas de falta de meios por parte dos autarcas, diz "Nós não podemos ter meios ilimitados. Só consigo perceber essas críticas num ambiente de desespero. Os bombeiros foram heróis". E sofreram sérios danos: o quartel dos Voluntários de Leiria mais parece uma oficina. "Temos vários carros sem travões, com filtros de ar rebentados, perdemos muitas mangueiras, motobombas avariadas, carros com filtros de ar rebentados pelas poeiras quentes", diz Carlos Montes, adjunto de comando da corporação.