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7- 2005 - 14: 1
Habitações estiveram cercadas pelo fogo

Bombeiros não tiveram descanso

Este fim de semana foi um autêntico inferno no concelho de Pombal. Desde a manhã de sábado que os bombeiros não tiveram mãos a medir. Nesse dia, um violento incêndio deflagrou em Cumieira, freguesia de Pombal. As condições climatéricas, este foi mais um dia de intenso calor e com vento irregular, aliadas à própria topologia do terreno não facilitaram o trabalho dos soldados da paz. As chamas estiveram muito próximo de algumas habitações e semearam o pânico entre os moradores do lugar. O fogo passou mesmo entre duas moradias, mas os bombeiros conseguiram impedir que as casas ardessem. O incêndio estendeu-se até aos Pousios onde também passou perto de algumas casas. No sábado, cerca de 19 corporações de bombeiros apoiadas por três meios aéreos estiveram envolvidas no combate às chamas. Ao final da tarde, o fogo estava já circunscrito mas continuava a existir o perigo de reacendimentos. No total terão ardido cerca de 120 hectares, cem dos quais de mato e vinte de pinhal.
Mas se o sábado foi um dia complicado, o domingo não lhe ficou atrás. Logo pela manhã as chamas começaram a lavrar na freguesia de Albergaria dos Doze, lugar de Figueiredo. Entretanto, registou-se o reacendimento na Cumieira e novos focos de incêndio nos Caseirinhos, junto ao Aquaparque, e noutro ponto da Serra de Sicó. A juntar a tudo isto apareceram ainda mais dois incêndios a gerar muitas complicações. Um deles lavrou na zona oeste do concelho, na freguesia do Carriço, e ameaçou mesmo o Parque de Campismo “O Tamanco”. O outro teve lugar na Ponte da Assamaça onde a capela e algumas habitações ficaram cercadas pelas chamas. Os perto de 400 bombeiros que contaram com o apoio de cerca de cem viaturas não tiveram descanso até ao final da tarde. Continuam por apurar as causas de tantos incêndios num único fim de semana, mas segundo O Correio de Pombal apurou, as suspeitas recaem mesmo na hipótese de mão criminosa. Para Armando Ferreira, comandante dos Bombeiros Voluntários de Pombal, este foi um fim de semana muito complicado com várias solicitações. Os maus acessos a alguns dos locais e a dispersão de meios pelos vários focos de incêndio que estavam activos tornaram quase impossível um melhor trabalho por parte de quem não pode dar tréguas ao fogo.
No sentido de prevenir mais complicações, os Bombeiros já começaram a abrir um espaço de descontinuidade na zona da Mata da Rola, uma vez que ainda existe o receio de que essa zona possa vir a ser fustigada por incêndios. No entanto, parece que o interesse colectivo continua a ser um entrave para alguns, uma vez que já existem reclamações de proprietários de terrenos em relação a esta abertura de espaços de descontinuidade. Já no fim de semana tinha havido registos de algumas queixas por parte dos bombeiros em relação ao proprietário do Aquaparque pela recusa do mesmo em deixar abastecer os helicópteros que combatiam os incêndios na região.

Proprietários com receio das consequências
Parque de campismo não escapou às chamas
O único parque de campismo do concelho, “O Tamanco”, localizado em Outeiro do Louriçal, também não escapou ileso à fúria das chamas, no domingo passado. De acordo com os proprietários do espaço, de nacionalidade holandesa, “ardeu uma pequena parte do parque”, referente a área de floresta. Em matéria de infra-estruturas, não foram contabilizados prejuízos, tendo ficado destruídas apenas duas tendas, segundo O Correio de Pombal pôde apurar. Mesmo tendo sido feitos todos os esforços para evitar o pânico junto dos turistas, alguns deles acabaram por deixar o espaço naquele mesmo dia, com receio de as chamas poderem ali chegar novamente. Depois da tragédia, os proprietários sentem-se agora receosos que o incêndio possa afastar os turistas.