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Bombeiros com futuro garantido
“Dos homens e mulheres bons, ou se diz bem ou não se diz nada”. A frase de Rui Silva, vice-presidente da Liga Nacional dos Bombeiros, reflectiu um pouco do espírito das comemorações do 94º aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Pombal. É que, no passado domingo, dos 173 formandos, foram impostas divisas a 84, que passam a ser bombeiros de terceira classe, sendo a maior parte dos elementos da zona Oeste do concelho. No mesmo dia, foram entregues duas viaturas e inaugurada uma galeria de beneméritos, para além da passagem de três elementos ao quadro de honra.
Eram centenas as pessoas de várias freguesias do concelho que estiveram no quartel para acompanhar as cerimónias, entusiasmados com os meios apresentados e com a participação de familiares e amigos. Apesar do grande número de formandos, foram 84 os que receberam as divisas, sendo que 46 aguardam atingir os 18 anos, 13 continuam em formação e 25 são auxiliares. A imposição das divisas foi um momento de grande emoção para alguns, atingindo o ponto alto com a passagem ao quadro de honra de Carlos Alberto Guardado, José Teixeira dos Santos e Jorge Manuel Santos. Na ocasião, houve ainda o baptismo de duas viaturas, uma de fogos urbanos e industriais, oferecida pelo Serviço Nacional de Bombeiros e Câmara Municipal; e outra doada pela Força Aérea Portuguesa. A inauguração de uma galeria de beneméritos também foi um dos destaques da cerimónia.
Para o presidente da instituição, José Manuel Carrilho, “hoje é um dia de garantia da continuidade”, como “não há memória de alguma vez ter acontecido”. Segundo este responsável, “não existe crise de voluntariado, mas crise de falta de tempo”, e alertou aos novos bombeiros: “Hoje assumiram um compromisso sério com os pombalenses, famílias e com vocês mesmos. Nos momentos críticos, lembrem-se do juramento hoje feito”. Em seu discurso, José Manuel Carrilho adiantou que ainda não houve uma resposta sobre a candidatura ao Serviço Nacional de Bombeiros, em relação aos Grupos de Primeira Intervenção. “Se apresentamos a candidatura foi porque consideramos necessário”, referiu, acrescentando que a Câmara Municipal de Pombal irá apoiar a entidade com mais oito funcionários nas horas mais críticas. “Consideramos a ajuda de extrema importância já que são entre 35 e 40 as ocorrências diárias”.
José Manuel Carrilho lembrou os fogos do verão de 2005, e declarou que “nunca esta instituição sofreu tanta angústia. Vivemos de uma forma dramática as pessoas que pediram socorro”, e lembrou os bombeiros que “se suplantaram”. A constituição da 7ª secção, na zona Oeste do concelho, também foi abordada pelo presidente da instituição, que espera, a curto prazo, ter autorização para iniciar a construção da sede. “Lançamos um apelo à população das três freguesias para a colaboração no sentido da concretização”, afirmou Carrilho, que anunciou a realização de um protocolo com a Junta de Freguesia do Carriço para o apoio balnear uma unidade móvel.
A intenção de criar um Museu Nacional do Bombeiros também foi abordada por José Manuel Carrilho, que reafirmou o empenho da Liga dos Bombeiros e da Câmara Municipal no processo. “Este é o 11º aniversário que passo como presidente da instituição. Para mim, sentir a compreensão e apoio da população, os beneméritos, número de viaturas, pessoas, entre outros, é motivo de orgulho e esperança”. O presidente da Assembleia-geral, Armindo Carolino, também se mostrou satisfeito com a entrada dos novos elementos. “O futuro está assegurado”, declarou, destacando a juventude e o grande número de mulheres que aderiram à causa.