A possibilidade de estar comprometida a compra de uma ambulância para a secção
do Louriçal, está a incendiar o ambiente nos Bombeiros Voluntários de Pombal. A
Direcção diz que “o assunto é interno”, o comando não comenta, e os bombeiros
que falam do assunto fazem-no à boca pequena, pelos corredores da Instituição.
Mas a polémica escalda, por estes dias, entre as mãos dos responsáveis. A
história começa no início deste ano, quando a 6ª secção (Louriçal) reuniu alguns
elementos, que colocaram na rua o projecto para angariar de fundos para a compra
de uma ambulância. Segundo revelou a’O ECO uma fonte que preferiu o
anonimato, “foi fundado um departamento, de cultura e desporto, onde foram
delineados vários eventos para gerar dinheiro com o objectivo de comprar a
referida ambulância”. Após a formação deste grupo, “foi devidamente informada
a direcção dos Bombeiros Voluntários de Pombal. Para os eventos que foram
realizados foi feito um cronograma, e quando os eventos eram alterados a
direcção era avisada”. Segundo a mesma fonte, “logo nos primeiros eventos
começou a haver problemas com a direcção dos bombeiros, nomeadamente no que
respeitava aos prazos com que o grupo avisava a direcção”. A divulgação dos
eventos foi igualmente apontada como problema para a direcção, “pois quase que
tinha de haver uma censura, ou seja, antes dos folhetos saírem para a rua tinham
que ser vistos pela direcção”, disse a fonte. A partir deste momento os
problemas começaram a ser mais usuais, e foram realizadas reuniões entre o grupo
responsável pelo projecto e os dirigentes dos bombeiros para limar algumas
arestas. De acordo com a mesma fonte, há diversas situações que causam
descontentamento, até mesmo em outras secções, apontado como exemplo o facto de
“se estar a construir uma secção no Oeste, quando em Albergaria se aguarda ainda
que as paredes do novo edifício sejam pintadas. Antes de se expandir o
património deve-se arrumar a casa”, aprece ser a opinião de alguns
bombeiros. Mais tarde e face às dificuldades, o grupo admite a possibilidade
de adquirir uma ambulância em 2ª mão, mas em melhores condições que a actual. É
nesta altura que “a direcção e o comando dos bombeiros de Pombal assumem a
veracidade do projecto e a credibilidade do mesmo e reúnem com o grupo, de forma
a fazer pressão para que não seja adquirida nenhuma ambulância em 2ª mão, mas
antes uma nova”. Após uma reunião em Setembro, em que alguns membros do grupo
se afastaram, foram feitas promessas por parte da direcção em como surgiria
dinheiro para a ambulância, o que até à data não terá ainda
acontecido.
Magusto indigesto
O projecto vai continuando e sofre
um grande abalo após essa reunião. A bronca rebenta quando, “depois do magusto
do dia 11 de Novembro, o comandante José Costa comunica ao chefe de secção,
Paulo Roque, que o projecto está suspenso, devido à ausência de alguns bombeiros
no magusto”. E os bombeiros (do Louriçal) entendem-no como chantagem. Hoje
existem 8000 euros, depositados na conta dos BVP e um projecto suspenso. O
ECO contactou a direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de
Pombal, mas José Manuel Carrilho limitou-se a adiantar que o assunto é interno e
está a ser discutido no seio da instituição. Também José Costa, comandante da
corporação, se escusou a comentar a polémica.
»Para angariar fundos
foram realizados dois bailes, um no Outeiro do Louriçal e outro na Moita do Boi.
Foi ainda realizado um torneio de sueca, um passeio de BTT, um evento no
“Foot-In”, e no aniversário da secção foi feito um jantar. Nas festas anuais do
Louriçal, em Agosto, foi colocado um bar da secção, cuja receita reverteria a
favor da compra da ambulância.
» Não é de agora o clima de crispação
entre a secção do Louriçal e o quartel/sede. Recorde-se que o dossier mais
problemático foi a pretensão de ser criado um corpo de bombeiros na vila, há
cerca de dois anos. O projecto terá morrido “na casca”.