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Fabrica ardida ergue-se
A empresa de recuperação de solventes de Pombal destruída anteontem por um violento incêndio espera retomar a laboração dentro de dias, quando terminarem as operações de rescaldo e limpeza. Apesar dos avultados prejuízos, que estão a ser avaliados com peritos de seguros, nenhum dos 15 postos de trabalho vai desaparecer e os operários “estão a ajudar a reconstruir a empresa”, indicou Vítor Arroteia, director da Ecosocer.
O levantamento das novas instalações vai iniciar-se já na próxima semana, ao mesmo tempo que começarão a funcionar “serviços mínimos” de armazenamento e reciclagem, afirmou o responsável.
A Ecosocer é a única unidade em Portugal que trata resíduos industriais perigosos contendo solventes, usados em tintas, colas, vernizes e produtos de limpeza. Em média, recupera por ano seis toneladas de resíduos e factura três milhões de euros.
Após o incêndio, uma das preocupações principais é evitar a contaminação dos pinhais e eucaliptais à volta, para onde escorreram parte desses resíduos tóxicos, misturados com a água e a espuma usada pelos bombeiros. Foram criados diques, os líquidos aspirados e as terras removidas com retroescavadoras.
Dada a elevada perigosidade das matérias, é provável que as terras tenham que ser encaminhadas para Espanha, pois não existe em Portugal qualquer unidade com capacidade para as tratar, nem aterro para as depositar.
Fernando Parreira, vereador da Câmara Municipal de Pombal, explicou que a autarquia está a acompanhar a situação com a Direcção Regional do Ambiente do Centro, estando prevista a realização de análises às linhas de água.
“Vamos estar bastante atentos ao controlo de todos os recursos hídricos da zona, de forma a termos a certeza que não foram contaminados”, referiu o vereador.
A Ecosocer ainda não concluiu a avaliação dos prejuízos e espera divulgar hoje as conclusões do inquérito aberto para apurar a causa do incêndio. Ao que se julga, terá sido uma reacção química durante a laboração. As chamas propagaram-se depressa depois de atingirem um barril de mil litros de óleos, que sofreu um derrame e fez alastrar o fogo.
FOGOS
MORTÁGUA
Os bombeiros estiveram até às 09h00 de ontem de prevenção na central termoeléctrica de Mortágua, devido a um fogo que deflagrou num monte de resíduos florestais triturados, às 18h30 de terça-feira.
TORREDEITA
Uma fábrica desactivada em Torredeita, Viseu, foi ontem destruída por um incêndio. A unidade era ainda usada para serviços de metalurgia e tinha máquinas no interior. O fogo começou às 04h00.
AJUDAS NO PAÍS CONHECIDAS DIA 20
Os inquéritos realizados pelas autarquias dos 55 concelhos onde foi declarada a calamidade pública devido aos fogos de Verão foram ontem entregues ao Governo, em Lisboa, e os resultados serão conhecidos no próximo dia 20, data a partir da qual se atribuirão os apoios localizados.
O questionário, orientado pelo Instituto Nacional de Estatística, visou conhecer as necessidades precisas das pessoas prejudicadas, ao nível de bairros, aldeias ou freguesias, para que a ajuda chegue às pessoas que realmente dela necessitam. Essas ajudas serão ao nível dos meios de subsistência, arranjo de edifícios e disponibilização de alojamentos para os mais carenciados, além daquelas que foram imediatamente atribuídas, como refere um Plano de Acção já em poder dos autarcas.