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14_1_02-09-2003

O fogo destruiu a empresa de Pombal e foi combatido por terra e ar durante toda a tarde

Pânico: chamas alastraram à floresta envolvente
FOGO DESTRÓI FÁBRICA

A única fábrica de reciclagem de solventes licenciada em Portugal ardeu ontem junto à Zona Industrial Manuel da Mota, em Pombal, ao que se julga devido a uma reacção química entre dois líquidos inflamáveis, ocorrida quando estavam cinco trabalhadores de turno. Por precaução, as autoridades abriram um corredor de emergência até ao Hospital de Pombal, que seria usado para transportar um bombeiro e um operário, vítimas de intoxicações por inalação de fumos.

A violência do incêndio, que destruiu por completo a Ecosocer, mobilizou 150 bombeiros, de 20 corporações, apoiados por 44 viaturas, quatro helicópteros e dois aviões, com o governador civil de Leiria, José Leitão, a seguir a evolução dos acontecimentos no local. De acordo com o director da empresa, Vítor Arroteia, "os prejuízos são bastante elevados" e vai decorrer um inquérito para determinar com rigor as causas do incêndio.

Os materiais bastante inflamáveis existentes na fábrica provocaram momentos de algum pânico, com explosões constantes, e os bombeiros tentaram, sobretudo, evitar que o fogo chegasse às fábricas mais próximas, o que conseguiram.

Todavia, as chamas propagaram-se aos pinhais e eucaliptais à volta e destruíram cabos de alta tensão, deixando a cidade de Pombal sem electricidade durante várias horas.

A coluna de fumo negro era visível a quilómetros e o acesso da A1 ao IC8 foi cortado, tal como as estradas nacionais 237 e 237/1. Logo que as chamas ficaram dominadas, começaram os trabalhos para impedir que os líquidos tóxicos libertados se infiltrassem nos terrenos em redor, com a mobilização de veículos de aspiração e a criação de uma barreira.

Dedicada à gestão de resíduos industriais perigosos, como solventes usados em tintas e resinas, a Ecosocer tem 15 funcionários e era considerada um exemplo a seguir. "Cumpria todas as regras em termos de segurança", indicou o vereador Fernando Parreira, da Câmara de Pombal.

BOMBEIROS ENFRENTARAMUM "PERIGO ENORMÍSSIMO"

Os riscos de um incêndio como o que ontem atingiu a Ecosocer são bastante elevados e os bombeiros sentiram-no na pele. "Queríamos avançar, mas o calor não deixava e havia o perigo de os bidões explodirem", afirmou Rui Rodrigues, da corporação de Voluntários de Ansião, com o cansaço estampado no rosto. A seu lado, o colega João Gomes confirmava: "Foi um ataque muito difícil. Um perigo enormíssimo."

A notícia do incêndio correu depressa em Pombal e dezenas de pessoas seguiram as operações de perto, incluindo familiares preocupados com os operários.

"O meu marido disse-me que no Verão tinham que regar os bidões" por causa do calor, para evitar que explodissem, afirmou Maria Adelina Maia, depois de saber junto dos bombeiros que o familiar, José Maia, de 35 anos, estava bem de saúde.