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José Manuel carrilho, presidente dos Bombeiros Voluntários de Pombal “Faltam grupos de intervenção permanente”

José Manuel Maria Carrilho, 50 anos, industrial, é  desde finais de 1995 está à frente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Pombal.

Este responsável representa uma entidade criada há 92 anos, após um grande incêndio ocorrido em Pombal. “A associação nasceu num incêndio que houve na vila, que era pequena, mais precisamente no Hotel Pombalense. Como não haviam bombeiros na vila, estes tiveram que vir de Leiria e, quando chegaram a Pombal, quase que tiveram tempo apenas para emitir a ‘certidão de óbito’, já que estava tudo ardido, embora pese o esforço dos populares”. E foi justamente do esforço dos habitantes de Pombal que nasceu esta associação humanitária que, segundo o seu presidente de direcção, “tem prestado um óptimo serviço”.
A comemoração do 92º aniversário dos Bombeiros Voluntários de Pombal, a substituição do actual comandante, as hipóteses para o antigo edifício da corporação e outros assuntos são esclarecidos por José Manuel Maria Carrilho nesta entrevista.

Há quem defenda que Pombal, por ser um concelho com uma grande extensão territorial e possuidor de uma enorme área verde, deveria ter Bombeiros Municipais. O que pensa disso?

Em Pombal temos conseguido, graças ao esforço e sacrifício de todos, dar uma resposta, e não houve necessidade de Bombeiros Municipais. Até porque, isto é uma força de trabalho inestimável e gratuita à população, enquanto a criação e manutenção de Bombeiros Municipais teriam custos muito elevados.

Desde a inauguração do novo quartel, no ano passado, muito se tem dito sobre o destino das antigas instalações. Concretamente, o que será feito?

Aquelas instalações foram criadas em 1942 e, até hoje, ainda é um edifício actual. Pombal, graças à sua situação geográfica privilegiada, cresceu e houve a necessidade dos bombeiros crescerem, com meios e pessoas. Daí a necessidade de construir um novo quartel. O nosso projecto para as instalações anteriores foi, desde o início, que ficasse na posse da associação e fosse arrendado, a fim da instituição poder funcionar mais desafogadamente. No dia da inauguração, lançámos o desafio ao presidente da Liga dos Bombeiros para que no lugar fosse criado o Museu Nacional dos Bombeiros. Ele ficou entusiasmado e vieram técnicos ao local, mas, após estudos, chegou-se à conclusão que o edifício seria pequeno, quer em espaço interior, quer em espaço exterior.

E não houve o interesse de mais ninguém?

Depois havia a intenção da PSP de mudar para aquele local, ideia essa que mereceu também o entusiasmo das autoridades locais, distritais e do Ministério da Administração Interna. Mas, por dificuldades de orçamento, também não foi oportuno, já que apresentavam dificuldades de verbas para a transferência e pagamento da renda.
Também gostaríamos que ali fossem instalados serviços públicos, de uso para a comunidade. Temos feitos várias diligências nesse sentido, a dizer e publicar em jornais que estamos a arrendar, e aguardamos que apareçam interessados.

E se tal não acontecer em determinado espaço de tempo?

Senão aparecerem, vamos ter que arrendar a particulares, que estão interessados.

O Governo Civil anunciou, na passada semana, que a prevenção dos incêndios vai ser reforçada, em 2005, com a instalação de sistemas de televigilância em vários concelhos, incluindo Pombal. Concorda com a medida?
 
Estou a aguardar para ver. Já no ano passado também houve  a actuação do exército. Quanto mais boa vontade para esta causa de combate a incêndios, melhor.

Que necessidades maiores afligem neste momento os Bombeiros voluntários de Pombal?

Para as necessidades de Pombal, os grupos de intervenção permanente era o caminho a seguir e o quanto antes. Há três anos fizemos uma candidatura para termos grupos de intervenção permanente, pois estamos conscientes da falta de pessoal durante certas horas do dia. Os grupos de intervenção permanente são três grupos de cinco homens, 24 horas por dia, para sair ao minuto. Para isso a Câmara Municipal de Pombal assumia uma quarta parte desses grupos. A candidatura obedecia a regras mas até hoje sem resposta.

Pombal conta agora com um novo delegado Municipal da Protecção Civil. O que lhe parece?

Conheci-o na terça-feira e trocamos impressões. Não sei as suas ideias, mas a união no socorro tem todo o meu apoio e da instituição.

Uma vez que já foi anunciado que o actual comandante dos Bombeiros Voluntários de Pombal vai deixar o cargo, quem irá substituí-lo?

No próximo dia 01 de Junho, o actual comandante, Manuel Leal, vai passar ao quadro honorário, ficando como comandante interino o actual segundo comandante, Francisco Ferreira. Posteriormente, com a direcção e grupo activo, vamos proceder à escolha de um novo comandante.

O que acha da ideia de Pombal receber um Museu Nacional do Bombeiro?

Após a nossa sugestão de criar essa estrutura, na inauguração do quartel novo, e a impossibilidade de a acolher nas anteriores instalações, a Câmara Municipal de Pombal, que sempre acarinhou a iniciativa, disponibilizou um terreno para a construção do Museu. A autarquia – e sublinho com muito agrado o seu interesse em ter esta estrutura no concelho -,  também garantiu que, a parte que não fosse financiada pelo Ministério da Cultura, o próprio município suportaria. Para nós é um orgulho ter o museu na cidade. Consideramos uma excelente mais valia para o concelho, até porque teria um anfiteatro para acções envolvendo a segurança, voluntariado, cidadania, entre outros. No entanto, tudo depende da aprovação do projecto que a Liga Nacional dos Bombeiros, que será a proprietária do Museu, vai mandar ao Ministério da Cultura

O que destaca nas comemorações do 92º aniversário dos Bombeiros Voluntários de Pombal?

É com muita alegria e grande gratidão que vamos ter o baptismo de quatro viaturas, sendo três destinadas a incêndio e uma de transporte de doentes, fruto da bondade e altruísmo de beneméritos da nossa instituição, o que tem sido uma constante ao longo dos últimos oito anos. Vamos ter também nesse dia a exibição de 48 fatos novos de protecção individual de bombeiros, bem como capacetes e botas. Em 2004, os equipamentos são uma das nossas prioridades. Equipamentos que permitam aos bombeiros desempenharem as funções para as quais são chamados, correndo o mínimo de riscos.

Adriana Afonso