Sommaire

http://www.pompiers-de-pombal.com/ - Pompiers - Bombeiros de Pombal

Page initiale

 

ATENTO| Carlos Carvalho diz que está pronto a dar a sua colaboração na Direcção, mas não tenciona voltar ao comando

Carlos Carvalho, ex-comandante dos Bombeiros, critica o tipo de viaturas usadas na prevenção

“O Fogo não começa no alcatrão”

Carvalho diz que as viaturas são boas. Mas para a cidade...

“As Câmaras deviam ter uma palavra importante na actividade e prevenção de todos os incêndios e acidentes. Culpam Lisboa e no fundo, localmente, há grandes responsáveis”. Quem o afirma é Carlos Carvalho, bombeiro durante 39 anos, 19 como comandante dos Bombeiros Voluntários de Pombal, tendo sido também comandante de operações na zona um do distrito de Leiria, conselheiro na Região Centro e delegado da Liga Nacional de Bombeiros. Apesar de afastado da corporação desde há sete ou oito anos, mantém o espírito crítico e não se inibe em dizer o que pensa, considerando que, actualmente que os bombeiros “atravessam uma fase de paz”.
Em Novembro de 2001 exprimiu a sua opinião sobre a Protecção Civil, num debate. Na ocasião disse que “O que se faz hoje são meros episódios de teatro, uma política de faz de conta que defrauda e engana as pessoas”. Passados quase três anos, “mantenho a mesma opinião”, diz. “A Protecção Civil, neste momento, regista algumas melhorias, mas não na plenitude. É para cumprir calendário. Ainda não vi nada de concreto”, afirma.
Para Carlos Carvalho, as candidaturas a projectos de vigilância e combate “se não forem desvirtuadas, são válidas. Mas, ao invés de apoio para a vigilância e detecção de fogos, às vezes o equipamento é utilizado para jardinagem e outras actividades das Câmaras, e não para as quais foram atribuídas”.
Ainda relacionado com a vigilância, o antigo comandante lembra que já existiu o patrulhamento com viaturas de duas rodas e com equipamentos de extinção de incêndios, que ainda tinham uma função dissuasora. Questionado sobre os actuais meios de vigilância, Carlos Carvalho considera que os postos fixos têm uma importância relativa. “Para um total de 600 quilómetros quadrados, o que fazem dois postos de vigia? Quando detectarem já o fogo é grande. Já as actuais viaturas utilizadas na prevenção são próprias para a cidade e o fogo florestal não começa no alcatrão”, acrescentando que “os militares nunca estiveram nem vão estar vocacionados para fogo florestal, mas são interessantes enquanto enquadrados com bombeiros, em missões de prevenção e rescaldo”.

“Custou-me imenso sair”

Mesmo afastado há tantos anos dos Bombeiros, Carlos Carvalho conta que tem “muitas saudades. Custou-me imenso sair”, mas que “poderei um dia, se for precisa a minha colaboração, entrar para a direcção, mas responsabilidade de comando no corpo activo não”. Na sua opinião, “neste momento os bombeiros estão serenos. Atravessam uma fase de paz e apercebo-me de uma postura de comando mais responsável, mais real”. Para Carlos Carvalho, para comandar uma corporação “é preciso conhecer as suas virtudes, fraquezas, capacidades de reacção e ter muita autoridade. Um bom comandante deve ser um bom pedagogo, um bom condutor de homens e tem que saber, sobretudo, ser comandante e mandante. Isto porque mandar, qualquer um com galões ou estrelas manda, mas para comandar deve ser um técnico”.
Carlos Carvalho lembra que “os bombeiros atravessaram um período em que eram requisitados para intervenções importantes, e sabiam responder a isso. Fazíamos exercícios práticos que todos vinham acompanhar e impressionavam as demonstrações de qualidades, conhecimentos e arrojo. A população admirava os seus bombeiros e o próprio bombeiro sentia-se importante, um herói. Era importante para motivar”.
Hoje em dia, afastado, o antigo comandante acompanha apenas esporadicamente algumas acções. “Apareço em algumas reuniões nacionais, participo nalgumas discussões e fóruns, para além de aniversários, quando sou convidado”. Contudo, em Pombal, “estou atento ao que se passa, sem querer intervir. Há ali muito de meu, muito trabalho”.
A respeito da nomeação de um Delegado Municipal da Protecção Civil, Carlos Carvalho acredita que “o presidente da Câmara, face à sua actividade tão ocupada, deveria delegar em alguém a responsabilidade do planeamento da Protecção Civil, mas se nomeou bem ou mal não sei. Não o conheço, mas a sua actividade profissional não está ligada à intervenção e fogos ou sinistros”.

Adriana Afonso