Concelho viveu momentos de aflição com os fogos
Carpintaria destruída em Albergaria dos Doze
E se o pânico era
nota de ordem em Carnide na sexta-feira, o mesmo se pode dizer de Albergaria dos
Doze, outra das freguesias severamente castigadas. O Lar de S. Pedro chegou
também a ser evacuado, sendo encaminhados para Pombal os utentes mais
independentes, enquanto que os restantes ficaram no lar de S. José, em São Simão
de Litém, segundo a assistente social daquela instituição. “Procurámos, tanto
quanto possível, que eles não se alarmassem”, refere a mesma técnica, algo que
se tornou complicado quando as chamas chegaram mesmo ao jardim das
instalações.
A situação mais grave foi vivida por Manuel Casalinho e pela
esposa Fernanda Gameiro. O casal e a filha ficaram sem nada, depois da
carpintaria e da casa onde residiam ter sido reduzida a cinzas.
Ao início da
tarde de sexta-feira passada, a zona industrial da freguesia encontrava-se
cercada pelas chamas. A população chegou a temer o pior, dado que o fogo se
aproximou de uma fábrica de móveis, repleta de tintas, diluentes e outras
matérias inflamáveis, bem como de uma outra unidade industrial de fabrico de
plásticos. Mas a maior das preocupações voltava-se para a fábrica de resina e,
por entre os populares, havia quem dissesse que “se o fogo lhe pega, morremos
todos”.
Passado o susto, Rita Leitão, de 30 anos, diz que agora, quando
pensa naqueles momentos, “até acho que nós estávamos bastante calmos”. O mais
complicado, diz, foi “quando me começou a arder a palmeira do jardim”. Aliás,
“não há palavras para explicar”.
A calma de Rita Leitão contrastou com o
pânico de Manuel Pinto, de 67 anos. Ainda não refeito da angústia vivida, conta
que foi graças ao genro que a casa se salvou. Não culpa os bombeiros porque tem
consciência que fizeram o que puderam.
A mobilização popular foi, aliás, a
principal arma de combate aos incêndios, devido à escassez de meios.
M.F