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Os habitantes de Pombal, e principalmente da localidade da Cumieira, não ganharam para o susto neste fim-de-semana. “O fogo esteve muito perto mesmo”,
desabafou Licínia Domingues, de 28 anos, residente naquela aldeia e que chegou a
ter a casa cercada. Segundo esta moradora, “há 10 anos também ardeu cá perto,
mas agora foi de um lado e do outro. Eu estava cá e fiquei muito aflita. Não
havia água nem luz. Estávamos sem meio para fazer qualquer coisa e os bombeiros
fizeram o que puderam. Houve muitas casas em perigo”. Na segunda-feira, a mãe
de Licínia, Maria Domingues, de 55 anos, ainda estava assustada. “Se eu tivesse
ido a Pombal hoje, a casa da frente tinha ardido. De manhã reparei no fumo e vi
fogo. Um senhor ligou aos bombeiros e depois voltou a haver um reacendimento à
hora do almoço. Calhei vir à rua, era pouca coisa e apagámos”, explicou. Os
moradores lembram dos instantes de aflição em que, não sabiam mais o que fazer.
“Chegou a uma fase em que doía-nos a garganta, ardia o nariz. O meu marido
chegou a beber leite porque já estava intoxicado. Demos água aos bombeiros e uma
vizinha chegou a fazer um lanche porque eles já não se aguentavam mais, sempre a
correr de um lado para o outro”, recorda Maria Domingues, ao que a filha
acrescenta: “ainda lá abaixo mandaram que as pessoas saíssem das casas e
soltassem os animais”.
Cortina de fumo
No Barrocal, Maria Fernanda não quer falar dos momentos que passou e do
cenário que viu, mas aos poucos solta algumas frases. “Pensei que Pombal inteira
estava a arder. Nem dava para ver muito longe por causa da cortina de fumo.
Víamos os helicópteros a passar e pensávamos que fosse algo grande, mas nunca
imaginei que tivesse sido tão mau”. A lembrança do incêndio que atingiu a
serra de Sicó há alguns anos atrás permanece bem viva na sua memória. “Estava a
vir de Ansião e não pude passar porque a estrada estava cortada e as chamas
tentavam passar de um lado para o outro”. Apesar de não ter tido as chamas
próximas à sua casa, Maria Fernanda confessa que chegou a temer pelos seus bens.
“Nunca sabemos para onde o vento vai soprar”. Passados dois dias do início
dos incêndios, a população ainda não estava sossegada. Na Cumieira o sono não
tem sido pacífico. “Não dormimos direito, porque podem vir fagulhas pelo ar e
pegar fogo em palheiros ou outros locais”, afirma Licínia, ao que a mãe
sussurra: “À noite, vamos à janela e as brasas parecem velas a arder pelas
encostas”.
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