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Três aviões Canadair, dois espanhóis e um francês, chegaram domingo a Portugal e começaram imediatamente a combater as chamas, juntando-se a outros 31 meios aéreos portugueses. Amanhã chegam três helicópteros alemães e um avião italiano. No terreno estão actualmente cerca de 2.700 bombeiros

luta contra os incêndios, em Portugal, ficou domingo marcada pela resposta da União Europeia ao apelo de ajuda feito por Lisboa no dia anterior e que se traduz por dois Canadair espanhóis e um francês.

Os três helicópteros cedidos pela Alemanha e o Canadair enviado pela Itália só terça-feira vão poder ajudar no combate às chamas.

Por outro lado, 25 bombeiros do Serviço Regional de Protecção Civil dos Açores estão prontos para seguir para o Continente para ajudar também no combate aos fogos florestais, conforme anunciou domingo o presidente do Governo Regional, Carlos César.

Esta segunda-feira amanheceu com cerca de três dezenas de incêndios por controlar, combatidos por mais de 2.700 bombeiros, segundo o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC).

Um dos mais preocupanteslavra no distrito de Coimbra, com as chamas a ameaçar o hospital psiquiátrico do Sobral Cid, que já foi evacuado. Duas casas foram consumidas pelas chamas na freguesia de Ceira, conforme revelou à agência Lusa o governador civil de Coimbra, Henrique Fernandes, adiantando que actualmente estão no terreno mais de 200 bombeiros.

Em declarações à Lusa, Henrique Fernandes explicou que este fogo teve início na zona de Carvalho, Lagoa e São Frutuoso, mas «os ventos muito fortes» estenderam as chamas até Ceira e às duas margens do rio Mondego. Naquela área lavra ainda um fogo vindo de Miranda do Corvo, o que provocou «uma situação muito difícil» para os bombeiros que estavam dispersos por outros pontos do distrito de Coimbra no combate a outros incêndios.

Miranda do Corvo e Coimbra activaram os seus planos municipais de emergência e, desde o início da noite de domingo, o centro distrital de protecção civil começou a pedir reforços e a retirar meios de incêndios já em fase de rescaldo, como Pampilhosa da Serra.

Fundo europeu

A Comissão Europeia deverá este ano voltar a apoiar Portugal com verbas do Fundo de Solidariedade quando, daqui a algumas semanas, for feito o balanço dos prejuízos causados no país pelos incêndios.

«O Fundo Europeu de Solidariedade foi exactamente criado para apoiar situações de desastres naturais de grande envergadura e Portugal já beneficiou dele no passado podendo voltar a beneficiar», disse entretanto à Agência Lusa Paula Laissy, porta-voz da Comissão Europeia para a Política Regional.

Portugal tem 10 semanas, após o fim da situação de desastre natural, para introduzir o pedido que lhe permite, eventualmente, beneficiar das verbas do Fundo de Solidariedade, como já aconteceu em 2003.

Um Estado-membro pode pedir a intervenção desse mecanismo quando o desastre natural provocar despesas de mais de 3 mil milhões de euros (ou 0,6 por cento do Rendimento Nacional Bruto).

O Fundo de Solidariedade europeu foi criado em Novembro de 2002 na sequência das cheias verificadas em França, Alemanha, Áustria e República Checa.

Os fogos florestais em Portugal provocaram prejuízos de 1,2 mil milhões de euros em 2003 tendo o país recebido uma ajuda de 48,5 milhões de euros do Fundo de Solidariedade.
No ano seguinte (2004), o país não pode candidatar-se ao fundo por não chegar ao limiar mínimo de prejuízos estabelecido para a atribuição das ajudas.

Durão satisfeito com solidariedade

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, mostrou-se hoje satisfeito pela rapidez com que os países da União Europeia responderam ao pedido de ajuda internacional lançado pelo Governo português para combater os incêndios florestais.

Durão Barroso, que se encontra em Portugal de férias, está a acompanhar de perto a situação causada pelos fogos, que este ano já devastaram mais de 134,5 mil hectares de floresta, diz um comunicado do Executivo comunitário divulgado em Bruxelas.

Portugal solicitou sábado à noite ajuda da protecção civil europeia para combater os incêndios florestais que lavravam em mais de 50 locais diferentes do país.

 

O mapa dos incêndios

 

São Furtuoso, concelho de Coimbra: às 12h45 este fogo era que mais meios mobilizava entre os 22 que estavam por controlar e estava a ser combatido 153 bombeiros, apoiados por 86 veículos e quatro aeronaves, sendo o fogo com mais meios

Portel Fontes/Meixial, concelho de Abrantes: era às 12h45 o segundo maior dos não circunscritos, com 152 bombeiros, apoiados por 49 veículos.
A meio da tarde, o trânsito na A23 foi cortado entre os nós de Montalvo e Abrantes Oeste devido ao incêndio que lavra na região. O fogo que lavrava na zona a Norte da auto-estrada passou a via e lavra perto de Rio de Moinhos e Montalvo, aproximando-se da cidade de Abrantes.

Várzea Amarelo, concelho de Alvaiázere: à mesma hora estavam no terreno 127 bombeiros, 36 veículos e dois meios aéreos.

Urmar, concelho de Soure: mantinham- se ao princípio da tarde, 124 bombeiros, apoiados por 32 veículos

Segade, concelho de Mirando do Corvo: a combater este fogo estavam 121 bombeiros, apoiados por 37 veículos.

Nagoselo, concelho de Santa Comba Dão: mais de um centena de bombeiros combatiam este incêndios às 12h45

Por circunscrever, mas com menos de 100 bombeiros no terreno, existiam fogos nos concelhos de Vale de Cambra (distrito de Aveiro), Vieira do Minho e Póvoa do Lanhoso (distrito de Braga), Vila Nova de Poiares (distrito de Coimbra), Figueiró dos Vinhos e Pombal (distrito de Leiria), Constância e Ourém (distrito de Santarém), Vila Nova de Cerveira, Ponte de Lima e Viana do Castelo (distrito de Viana do Castelo), Chaves (distrito de Vila Real) e S. Pedro do Sul, Viseu e Santa Comba Dão (distrito de Viseu).

Às 12:45, 2.703 bombeiros e 16 aeronaves estavam envolvidos em acções de combate, rescaldo e vigilância a incêndios.